
Foto: Juliana Keibel.
Poesias: Bruna Beber*.
anéis
quero alegria pro poema
mas os versos saem em mi
tento decorar as penas
estão desbotadas
todas as cores
vejo em preto e branco
canto para esquecer
a grande confusão das coisas simples
não sei de que material seco são feitas
as perdas.
broches
aproxima-se o desconhecido
e junto dele a gritaria
dos grandes começos
ainda não sabe dizer
com quantas rouquidões
se faz um recuo
por isso o silêncio e a tosse
infalível técnica
de disfarces.
brincos
o medo amarela
os dentes corrói
todas as tentativas
de nomeá-lo
nada nos assegura
nem ninguém poderá
nos defender: estamos vivos
e se do paraíso estamos longe
cada vez mais longe quero viver
distante, muito distante
do que só é possível no papel.
____________________________________________________
*Bruna Beber tem 23 anos, é carioca, mas vive em SP. Publicou, em 2006, seu livro de estréia de poesia – a fila sem dos demônios descontentes (esgotado) – pela Ed. 7 Letras. Já colaborou com diversos sites e revistas impressas de literatura, poesia, música e internet ( Portal Literal, Paralelos, Bala, Escritoras Suicidas, A Máquina do Mundo, Latin.Log, Capricho e Entrelivros.) e já teve seus poemas publicados na Alemanha e no México. Edita o blog Bife Sujo (http://badtrip.com.br/bifesujo/) e o poetrycast Mike.
9 Comentários até o momento
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Isso me remonta aos tempos em que eu tocava violão…
Comentário por Halo Setembro 16, 2007 @ 11:55 pmamei as palavras da bruna.
Comentário por givethatup Setembro 17, 2007 @ 6:59 pmmaravilhosas.
o primeiro poema, principalmente, é estarrecedor.
Comentário por fabrício fortes Setembro 19, 2007 @ 5:27 pmbela imagem também.
parabéns, moças!
Olá!!!
Comentário por Denise Setembro 19, 2007 @ 7:43 pmAdorei a foto e os poemas!!!
Lindo, lindo!!
bjs
da Bruna já sou fã a muittttttoooooo tempo.
As letras dela me deixam estáticas.
E ficou lindo tudo aqui, junto.
beijos!
Comentário por Samantha Abreu Setembro 19, 2007 @ 11:09 pmDe qual material seriam feitas as perdas…
Comentário por Clara Setembro 20, 2007 @ 2:42 pmHá tempos não ouvia uma pergunta tão pertinente.
Agora também já faz parte de mim.
Adorei essa “elegia sentimental dos apetrechos”. E a foto é maravilhosa!
Comentário por Diogo Lyra Setembro 21, 2007 @ 11:00 amTambém quero viver distante do que só é possível no papel!
Comentário por Fernanda Setembro 27, 2007 @ 4:33 pmDistante e verdadeiro… no papel a gente põe tudo que vai à cabeça. Mas na boca, as palavras calam, dando lugar à tempestade silenciosa.
Comentário por Alisson Dezembro 13, 2007 @ 10:39 pm