Transitivos – Literatura::Fotografia::Desenho.


Sinfonia
setembro 16, 2007, 11:42 pm
Filed under: Bruna Beber, Juliana Keibel, Transitivos Indiretos

julianak.jpg

Foto: Juliana Keibel.
Poesias: Bruna Beber*.

 

anéis

quero alegria pro poema

mas os versos saem em mi
tento decorar as penas

estão desbotadas
todas as cores

vejo em preto e branco
canto para esquecer

a grande confusão das coisas simples
não sei de que material seco são feitas

as perdas.

broches

aproxima-se o desconhecido

e junto dele a gritaria
dos grandes começos
ainda não sabe dizer

com quantas rouquidões
se faz um recuo
por isso o silêncio e a tosse

infalível técnica
de disfarces.

brincos

o medo amarela

os dentes corrói
todas as tentativas
de nomeá-lo
nada nos assegura

nem ninguém poderá
nos defender: estamos vivos
e se do paraíso estamos longe

cada vez mais longe quero viver
distante, muito distante
do que só é possível no papel.

 

____________________________________________________

*Bruna Beber tem 23 anos, é carioca, mas vive em SP. Publicou, em 2006, seu livro de estréia de poesia – a fila sem dos demônios descontentes (esgotado) – pela Ed. 7 Letras. Já colaborou com diversos sites e revistas impressas de literatura, poesia, música e internet ( Portal Literal, Paralelos, Bala, Escritoras Suicidas, A Máquina do Mundo, Latin.Log, Capricho e Entrelivros.) e já teve seus poemas publicados na Alemanha e no México. Edita o blog Bife Sujo (http://badtrip.com.br/bifesujo/) e o poetrycast Mike.

 

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9 Comentários so far
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Isso me remonta aos tempos em que eu tocava violão…

Comentário por Halo

amei as palavras da bruna.
maravilhosas.

Comentário por givethatup

o primeiro poema, principalmente, é estarrecedor.
bela imagem também.
parabéns, moças!

Comentário por fabrício fortes

Olá!!!
Adorei a foto e os poemas!!!
Lindo, lindo!!
bjs 🙂

Comentário por Denise

da Bruna já sou fã a muittttttoooooo tempo.
As letras dela me deixam estáticas.

E ficou lindo tudo aqui, junto.

beijos!

Comentário por Samantha Abreu

De qual material seriam feitas as perdas…
Há tempos não ouvia uma pergunta tão pertinente.
Agora também já faz parte de mim.

Comentário por Clara

Adorei essa “elegia sentimental dos apetrechos”. E a foto é maravilhosa!

Comentário por Diogo Lyra

Também quero viver distante do que só é possível no papel!

Comentário por Fernanda

Distante e verdadeiro… no papel a gente põe tudo que vai à cabeça. Mas na boca, as palavras calam, dando lugar à tempestade silenciosa.

Comentário por Alisson




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